A natureza é minha origem, minha pesquisa e a lente através da qual compreendo a forma, a matéria e o fazer.

Durante muito tempo, imaginei que meu trabalho era desenvolver vasos decorativos.

Depois vieram as ferramentas para cerâmica.

Mais tarde, a cerâmica passou a fazer parte da minha própria rotina.

Em seguida, surgiram as obras.

Por um tempo, achei que essas áreas não conversavam entre si.

Hoje entendo que sempre estive fazendo a mesma coisa.

Observar a natureza.

É nela que encontro formas, ritmos, texturas e estruturas que despertam minha curiosidade.

Observo como algo cresce, como uma estrutura se sustenta, como uma superfície se transforma e como diferentes partes se relacionam para formar um todo.

É a partir dessas perguntas que começo a criar.


Diferentes matérias. A mesma investigação.

A fabricação digital me permite explorar geometrias complexas e testar possibilidades que seriam difíceis de construir de outras maneiras.

A cerâmica me aproxima da matéria, do tempo e do gesto.

A madeira acrescenta calor, história e permanência.

Cada processo revela uma dimensão diferente da mesma investigação.

Eles não competem entre si.

Eles dialogam.

É desse encontro que surgem meus objetos, minhas obras e também as ferramentas que desenvolvo para outros criadores.


Da observação à forma

Tudo começa com uma curiosidade.

Uma estrutura encontrada em uma folha.
A maneira como uma flor se organiza.
A textura de uma superfície.
O crescimento de uma raiz.
A repetição de um padrão.
A relação entre cheio e vazio.

Não procuro simplesmente reproduzir essas formas.

Procuro compreender o que existe por trás delas e reinterpretá-las através dos processos e materiais que tenho à disposição.

Observar. Investigar. Experimentar. Materializar.

Esse é o movimento que atravessa meu trabalho.


Mais do que ocupar espaços

Acredito que a arte e o design podem fazer mais do que ocupar espaços.

Podem nos fazer olhar novamente.

Para uma textura.

Para uma forma.

Para uma sombra.

Para uma árvore.

Para o espaço que habitamos.

Porque, em meio à rotina, é fácil esquecer que aquilo que chamamos de natureza não está separado de nós.

Nós também fazemos parte dela.

É essa percepção que busco despertar através do meu trabalho.

Quero que, ao encontrar uma de minhas obras ou objetos, você não veja apenas uma peça.

Quero que ela desperte um olhar mais atento para as formas que sempre estiveram ao nosso redor.

Que faça você perceber a presença da natureza no espaço que habita — e talvez também em você.


Talvez meu trabalho não seja sobre trazer a natureza para dentro de casa.

 

É sobre lembrar que nós nunca estivemos fora dela.