Durante muito tempo imaginei que meu trabalho era desenvolver vasos decorativos.

Depois vieram as ferramentas para cerâmica.

Mais tarde, a cerâmica passou a fazer parte da minha rotina.

Em seguida surgiram as obras.

Por um tempo, achei que essas áreas não conversavam entre si.

Hoje entendo que sempre estive fazendo a mesma coisa.

Meu trabalho nunca foi sobre impressão 3D, cerâmica ou escultura.

Meu trabalho é observar a natureza.

É nela que encontro formas, ritmos, texturas e estruturas que despertam minha curiosidade.

Cada material amplia essa investigação de uma maneira diferente.

A fabricação digital me permite explorar geometrias complexas e testar novas possibilidades.

A cerâmica me aproxima da matéria, do tempo e do gesto.

A madeira acrescenta calor, história e permanência.

Nenhum desses processos existe para substituir o outro.

Eles dialogam.

É desse encontro que surgem minhas coleções, minhas obras e também as ferramentas que desenvolvo para outros criadores.

Mais do que criar objetos, acredito que o design e a arte podem aproximar as pessoas da natureza e despertar um olhar mais atento para as formas que sempre estiveram ao nosso redor.

Tudo o que faço nasce dessa mesma curiosidade.

A natureza é a lente através da qual eu compreendo as formas, a matéria e o fazer.